Para o paciente que se sente perdido no tratamento. Já passou por vários médicos, toma medicação há muito tempo, nunca foi informado dos efeitos colaterais, nunca soube se o remédio funciona ou resolve aquele tipo de problema, e nunca teve o contexto de vida nem a gênese do sofrimento compreendidos.
O que é um diagnóstico psiquiátrico
- São construções científicas de baixa confiabilidade.
- Carecem de conceitos clínicos básicos (o básico do básico), como fator etiológico (causa) e mecanismos fisiopatológicos.
- Possuem pouca estabilidade longitudinal no tempo.
- São construtos sociais que variam conforme o contexto de sua época.
- Não são confiáveis para predizer prognósticos e tratamentos adequados.
- Não possuem marcadores clínicos biológicos.
Ele pode ser um aliado, mas por que raios colocaram os diagnósticos como protagonistas de um tratamento?
O profissional psiquiatra que faz do diagnóstico o guia de suas condutas colocará seu paciente numa arapuca sem saída. A armadilha dos pacientes eternamente medicados, mas que nunca saberão do que sofrem e, por isso, passarão o resto de seu tempo condenados ao que padecem.
A epidemia de transtornos mentais conta com muitos alicerces perversos, mas a sua face “clínica” mais cruel talvez seja o aprisionamento do indivíduo em seu sofrimento.
A medicação (que pode ser estrategicamente salvadora) tem sido usada como silenciadora, e, sem o manejo dos mecanismos psíquicos envolvidos (trocados por prescrições generalistas como exercícios físicos, meditação e autocuidado), os pacientes, anestesiados, continuarão marginalizados do saber sobre o seu sofrer.
Que o guia do profissional seja o indivíduo em sua radical singularidade; que seu sofrimento seja acolhido e cuidado, mas nunca silenciado.
É preciso uma dose de angústia para mover os pesos de lugar; a posição subjetiva frente ao que se vive determina muito mais sobre o desfecho de um tratamento do que qualquer medicação, diagnóstico ou teste psicológico.
O que se reexamina na consulta
Que diagnóstico foi feito e sobre que base. O que cada medicação em uso está tratando, se ainda está tratando, e o que se sabe sobre sua eficácia para aquele problema. E aquilo que quase nunca foi perguntado: em que contexto o sofrimento apareceu, o que atravessava a vida da pessoa naquele momento, o que o sustenta hoje.
As consultas são presenciais em Leopoldina e por vídeo para outras cidades. Agendamento pelo WhatsApp.
Hélio França — CRM-MG 67184 — Psiquiatra RQE 36597